sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ensaio

do Lat. exagius. m.,

meio utilizado para testar se algo convém ao fim a que se destina;
prova;
experiência;
tentativa;
exame;
tirocínio;
primeira aplicação feita em determinada arte ou ramo de actividade para verificar a habilidade e exercitar a destreza;
treino;
execução preparatória de uma peça musical, teatral ou outra.

do Ing. essays. m., Lit.,

escrito que, sem chegar à extensão de um tratado ou monografia, aborda uma matéria (de carácter científico, filosófico, histórico, ou literário) sem o esgotar e sem o aprofundar demasiado.


tubo de -: tubo de vidro, estreito, fechado numa das extremidades, destinado a experiências químicas em laboratório.
É.

É como se o nosso pé fosse uma jaboticaba gigante

sábado, 18 de outubro de 2008

19 vezes eu.

Uma pausa e um coração. Talvez dois, mas principalmente aquele.
Desejei fazer da carne a pluma mais leve.
Quis que a sua existência pesasse leve em mim
enchi de cores minhas essa brisa que não passou (ou que passou demais)

Densidade.

No fim, só o que sei é que se passaram tantos anos e ainda assim nos preocupamos demasiado com o amadurecimento das cerejas
e nada sabemos sobre as uvas.

Amadurecemos. Uvas, cerejas, eu e você
e todos nós caímos, como resposta à vida
Por que? porque o tempo passou
peço desculpas ao poeta, que desejou de forma tão rija que ele não passasse
mas a sexta-feira sempre chega.
E vai chegar, dessa vez de novo

só que com cara de domigo.

domingo, 24 de agosto de 2008

A verdade.




A brincadeira é de fato perigosa. Você brinca e brinca e logo se empolga nesse excitante jogo de pensamentos que até se esquece que estava apenas brincando. Chega até mesmo a pensar que pode perder o jogo já ganho.
O que significa isso que você pensou?
Não sei.
Muitas vezes eu me condenei por simplesmente não saber das coisas. Essa frase, inclusive, já se tornou inexoravelmente vulgar para aqueles que a viram sair tantas e tantas vezes de mim.
E o que posso eu fazer contra as leis da Física? Quem não sabe, não sabe.
Não queria citar a "física" aqui, desta vez, como tantas vezes faço. E esse desejo tinha um motivo importante: cansei da lógica.
Seria lógico pelo menos inventar, quando não se sabe algo.
Lógica e imaginacão.

Um misto condenável. Não ousaria em minha vida - pelo menos não por enquanto - diluir a pureza da imaginação em doses amargas de lógica. E mesmo sendo perigosa e pouco mágica a miscelânea de duas coisas completamente opostas, ainda assim muitas vezes elas se completam.
O que faz da vida algo ainda mais estranho.
O fato é que palavras não existem.
E, permitindo-me neste momento recorrer a minha propria lógica: aquilo que não existe necessita-se de coisas existentes para que ocupem seus parcos lugares.
O que é uma pena, aliás.
Encanta-me a idéia de algo nao existir e ainda assim ter o seu lugar no mundo.
Mas o que significa isso que você pensou?
Eu nem cheguei a pensar.
As palavras - esssas doces sombras misteriosas - se fazem tão necessárias às vezes, que elas mesmas se escrevem.
E o fazem muito bem sozinhas.
Você não acha?

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tributo a Montaigne

Por Amanda Biasi


Da vida tira-se toda a calmaria e a tensão, as quais procura o ser.
Perspicaz, ainda que menos lúcido, é aquele que consegue arrancar dela aquilo de que não se necessita. O que simplesmente flui; e que assim como entra, sai.
Como um pulmão que não se censura e se entrega aberto e sereno ao prazer da brisa úmida e pura, mesmo correndo todo o risco do vício.
Não é mais suficiente tirar da vida simples e grotescamente aquilo que é dado de se ter. Mas - de forma doce e profunda - aquilo que o espírito deseja e procura.
A sensatez é muito real para nós.
Queremos a loucura do impossível, a fruição completa do imprevisível.
Conhecemos a nobreza do pensamento, entretanto optamos por saborear.
Não desejamos o poder, mas a paixão. Não nos interessamos pelo bom, mas pelo belo. Não sabemos o que é método, mas sim o que é o acaso; e não precisamos mais de planos, mas de acontecimentos.
Almejamos o amor, ainda que em sua forma menos louvável.
O regozijo, o prazer, o risco.
O riso.

Temos sede
e não a simples vontade de beber a vida.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A Chuva.

Por Amanda Biasi


Você olha mas não vê. Sente as lágrimas correrem pelo rosto, mas não chora. Quer, mas não faz. Voce, muitas vezes, nem quer. Sua cabeça dói, mas ainda assim não pára de pensar, parir.

E quer gritar, mas a voz se cala.

Quer sumir, fugir, voar.

Sabe, no entanto, que vai sentir mais uma vez a sensação, o fogo, a paixão que outrora inventara a seu prório talante. Ah, a paixão! Que entra e machuca, anestesia e depois refresca tudo de novo.Aquela mesma paixão, da qual está cansada mas prestes a ceder.E a velha promessa banguela, caquética, quase morta, a ecoar:
-Só mais uma vez.

O nosso amor a gente inventa
para se distrair.
Certo?

domingo, 6 de julho de 2008

O nascimento do amor.


Seus olhos passearam por aquela sala durante alguns minutos, cada qual absorvendo um pouco do ar de mistério, ansiedade e desejo. Quando pararam, se encontraram bem no meio, no chão, pés acima, mãos abaixo, o toque com toda a rudeza do delicado. E tudo o que se passava dentro dele refletia-se fora dela, numa sincronia perfeita. A mente ditava o que o corpo fazia, e toda a segurança do controle diluía-se no medo e no prazer. Guiava sua amada, como que numa dança. Os joelhos se confundiam naquela coreografia não acabada. Todo aquele jogo de corpos iniciava uma história que não veria o seu próprio fim. Havia nascido em seu leito de morte. Pudera, quem sabe, dizer que possuía o seu fim em si mesmo. Por tão superficial, pensava-se que tudo cairia no esquecimento. E de fato assim seria, não fosse o sentimento nascido, nutrido, forjado por eles; esse há de sobreviver, com nobreza, beleza e altivez. Com vida própria. Sem necessidade de protagonistas. Sem responsáveis, sem identidade.


por Amanda Biasi